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Primas II

Tenho duas primas. Irmãs. Primas que conheci ainda pequeno, naquela já tão falada época de inocência, quando toda preocupação resumia-se em escolher qual a brincadeira do dia: policia e ladrão, barra-bandeira, queimada, futebol (os meninos), outras coisa (as meninas).
Além de morarmos na mesma rua nesta época, estão entre as primeiras pessoas que viram meus textos.
Postei aqui alguns textos que tenho delas. Poliana e Greezy. Textos tão antigos que nem me lembrava mais que tinha até uma amiga de longa data me emprestar uma pasta velha e descolorida que guardava essas “preciosidades”.
Postei-os aquiaqui e aqui.

Primas I

O primeiro livro de poemas que eu li foi “Queda para o alto”, de Sandra Mara Herzer, uma menina de normal que foi morar na rua por conta das coisas inesperadas da vida, passou pela FEBEM, teve uma vida bem complicada e acabou tomando um rumo trágico e escrevendo um livro de poemas costurando fatos de sua vida.
Foi um presente despretencioso de uma prima, que foi nos visitar e sempre levava gibis para mim. Daquela vez ela levou um livro. Pensei com meus botões “saco!”, mas depois, em uma destas tardes chuvosas em que não dá pra jogar bola, peguei o livro e li.
Edízia não sabe o bem que me fez… Não sabe o “monstro” que criou 😉 …

João Morreu

João morreu, ninguém ouviu
Eu vou distribuir panfletos
Dizendo que João morreu
Talvez alguém se recorde
Do João que falo, eu

(Sandra Mara Herzer)

Já Houve

Havia um campinho
  Onde jogávamos futebol
Havia uma cachoreira
  Onde tirávamos o suor
Havia um clube
  Local de danças e conquistas
Havia a galeria
  Local de brincadeiras e encontros
Haviam os restaurantes
  Onde nossos pais se iam
Haviam os sítios e fazendas
  Onde haviam as aventuras
Haviam os colégios
  Nos preparando para a vida ?
Haviam as namoradas
  Criancices levadas a sério
Havia uma sociedade hipócrita
  Exemplo a não ser seguido
Haviam os rapazes mais velhos
  Ensinando todas as sacanagens
Haviam as meninas da nossa rua
  Companheiras de festa, adversárias nos jogos
Haviam as das outras ruas
  Nem sabiamos disto ainda
Havia a igreja
  Onde íamos rezar e ver roupa nova
Haviam os canteiros da praça
  Onde tudo começava
Haviam as putas
  Como em toda cidade
Havia um certo garoto
  Quieto, pacato, simples
Havia a falta de sonhos e ambições
  Uma caminhada sem destino
Havia depois uma cidade maior
  Onde tudo era abundante
Havia a perda da inocência
  O mal é sempre abundante
Havia a perda da esperança
  O bom é sempre escasso
Havia o horizonte mais largo
  Novos sonhos, novos medos
Havia a quebra com o passado
  Mas lembranças não se apagam
Havia a saudade da infância
  E de todo o bom que está guardado

(entre 1999 e 1995)

Rainha

Se eu pudesse um dia
Te faria rainha
Rainha do meu ser
Rainha do meu poder
Eu te sentaria no meu trono
Apenas pra ter o prazer de te servir
Te servir em tudo
Acariciar tua pele
Saciar teu desejo
Fazer tuas alegrias
Calar teu silêncio
Ser tua felicidade
Te amaria por toda a vida
Te daria minha vida
E se você não a quisesse
Poderia dar o fim que desejasse
Pois ainda continuaria sendo tua

(Edgar e Sidartha Duque – entre 1988 e 1990)

Silêncio

Perdido no silêncio
Ouço minha alma
A alegria me entorpece os sentidos
Só a tristeza me faz sentir e ver
E por ver, cada vez mais lúcio fico
E cada vez mais triste sou

(entre 1990 e 1993)

Amanhã

Olhar o amanhã
Faz você se libertar do ontem
Deixar a tristeza de lado
É a única chave do teu caminho
Viver para o presente
É o único modo de crescer
Já é tempo de saber
Que é você quem faz seus sonhos
A hora está próxima
Não é difícil, acredite em você
É teu único direito, liberte-o
É a tua luz, faça-a brilhar
Pois você nunca passará de novo pelo mesmo caminho
E se alguma vez você tropeçar e cair
Terá o consolo de saber que está dando tudo de si
E assim descobrirá
Que poderá vencer

(Suely Poliana Santos Duque – entre 1988 e 1991)